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8 de abril de 2010

Filmagens: Dawn of Gods (2011), de Tarsem

Dawn of Gods (ou Crepúsculo dos Deuses) é o título do próximo filme do diretor indiano Tarsem Singh, o responsável pelos lindos e cultuados A Cela (The Cell, 2000) e Dublê de Anjo (The Fall, 2007).
Tarsem sempre se destacou como um talentoso criador de imagens inesquecíveis e oníricas - que migrou da linguagem publicitária e dos videoclipes para o universo do cinema (foi ele que dirigiu o premiadíssimo clipe do R.E.M., "Losing My Religion"). Seus dois primeiros filmes chamaram a atenção da crítica especializada, merecendo elogios rasgados do eminente Roger Ebert.

Quem já assistiu a qualquer um dos dois não os esquece - são filmes que enchem os olhos e proporcionam um incomparável prazer estético, envoltos num clima geral de fábula, entre o sonho e o encantamento. Quem nunca os viu, não deve perdê-los.

O único fato lamentável - e sintomático da decadência da mentalidade dos que exibem filmes em nosso país - é que o magnífico Dublê de Anjo, com produção de Spike Jonze (Quero Ser John Malkovitch) e David Fincher (Clube da Luta) foi equivocadamente esnobado e nem chegou às salas de cinema brasileiras, sendo lançado diretamente em DVD. O mesmo escandaloso erro que ocorreu com o mais recente vencedor do Oscar, "Guerra ao Terror", de Katherine Bigelow, lançado a princípio em DVD e que só entrou - tardiamente - em cartaz por aqui porque acabou figurando entre os candidatos mais cotados à estatueta. Um vexame e uma imbecilidade que só confirmam o fim de qualquer inteligência ou bom senso no curto-circuito dos distribuidores, levando-se em conta a quantidade de bombas que entram regularmente em cartaz.

Alguns stills do imperdível Dublê de Anjo:


Tarsem, claramente, é um perfeccionista obcecado pelo belo.

As filmagens de Dawn of Gods estão a pleno vapor e o filme tem previsão de lançamento para 2011, segundo o site Movie Database, e abordará o universo mítico da grécia antiga - que pelo visto em Fúria de Titãs (2010), anda em alta em Hollywood.Os atores até então escalados para Dawn of Gods são um espetáculo à parte e só confirmam o extraordinário dom para a afirmação da beleza que é o cinema de Tarsem. Olhem só para esta escalação de deuses clássicos:

Corey Sevier (Teseu)

Steve Byers (Apolo)

Stephen Dorff (Stavros)


Kellan Lutz (Netuno)

13 de junho de 2009

Cinema: De Repente, Califórnia (2007)

O fofo ¨De Repente, Califórnia" (Shelter), de Jonah Markowitz, foi o filme escolhido como o primeiro lançamento da nova distribuidora Filmes do Mix e está atualmente em cartaz no Espaço Unibanco e No Espaço Arteplex, no Shopping Frei Caneca, em São Paulo.
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O filme conta o envolvimento do jovem surfista Zach com Shaun, irmão de seu melhor amigo (o rico e gostosão Gabe). Shaun é um homem mais velho, escritor de sucesso e gay assumido, que está de volta à Califórnia após o fim de um relacionamento, para tentar curar sua crise de autor.
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Zach vive um cotidiano com muitas responsabilidades familiares (basicamente é ele quem cuida do sobrinho) e tem uma namorada com quem parece não estar mais em conexão amorosa. Além disso, é um artista amador de muito talento, fato que não é sequer percebido pela irmã ou pela namorada.
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Shaun, no entanto, logo percebe os dotes artísticos do moço e estimula-o a se inscrever num curso de artes. Os dois firmam sua amizade surfando juntos ao pôr do sol em várias cenas lindas na praia, e vivendo diversos momentos de camaradagem e boa conversa, até que... um clima forte de paixão arrebata os dois.
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Zach não parece saber lidar com isso, principalmente levando em conta as pressões que vive em seu dia-a-dia.
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O filme é muito romântico e bastante sensível ao tratar de um caso de amor entre dois caras, principalmente levando em conta que um dos caras nunca se envolveu com um outro antes. "De Repente, Califórnia" pode não ser uma obra-prima homoerótica arrepiante como O segredo de Brokeback Mountain, mas emociona muito mais que a atual fornada de blockbusters despejados com sua cota de bobagens explosivas nas salas de cinema do país.
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9 de maio de 2009

Do Começo ao Fim: novo trailer do filme

Acaba de vazar na rede mais um trailer do polêmico Do Começo Ao Fim, novo filme do cineasta Aluisio Abranches que retrata o amor apaixonado entre dois irmãos (os belos Rafael Cardoso e João Gabriel) que promete causar.

O primeiro trailer vazado e que eu já postei aqui no blog espalhou-se como uma pandemia por todo o mundo virtual, em milhares de sites e blogs. O vídeo teve mais de 25 mil exibições em apenas um dia de circulação, o que dá uma excelente medida do potencial de sucesso para o longa, ainda sem data prevista para estreia.

O novo (e belo) trailer é este aí:



6 de maio de 2009

Filme: X-Men Origins: Wolverine (2009)

Nas cenas finais de X Men Origins, Logan (Hugh Jackman) é um sujeito desmemoriado. Ele acaba de perder a lembrança de tudo o que ocorreu no filme. É "um cara de sorte", como disse, maldosamente o crítico Roger Ebert a respeito desse blockbuster.

O filme de fato deixa a desejar. É um produto que lembra uma pizza com dois sabores: uma metade boa, a outra intragável. Há aparições de outros mutantes famosos, para agradar os fãs da tribo HQ. Quem não se inclui entre estes fica um tanto perplexo. Para piorar tudo, Logan-Wolverine não é o tipo de super-herói inteligente ou espirituoso. É do tipo que grunhe e faz caretas. Para compensar esse seu falar monocórdico a mão pesada de Richard Donner usa e abusa de ação, mortes, perseguições, explosões e efeitos especiais acelerados. Mas o tiro sai pela culatra.

Logan tem mais de 150 anos. Não aparentes. Ele segue o irmão depravado guerra após guerra, com uma invejável jovialidade hollywoodiana. O filme explica como ele adquiriu seu esqueleto de metal indestrutível e sobreviveu ao processo doloroso. Sua capacidade de regeneração cura-o de qualquer ferimento ou doença. Portanto, o personagem é incapaz de sofrer como um ser humano comum. A não ser que se fale em sofrimento pelos outros. Os riscos sobram para os pobres mortais que convivem com um sujeito desses.

Levando em conta tudo isso, não é fácil entender porque um robô indestrutível com garras assassinas como Wolverine é considerado o herói mais popular do mundo. A boa pinta de Jackman talvez ajude. E sobretudo seu carisma. O homem dificilmente deixa a peteca cair como entertainner (vide a última entrega do Oscar).

O primeiro filme dos X-Men foi um divisor de águas nas adaptações de super-heróis para o cinema. Na esteira de seu sucesso vieram bons filmes recentes: os Batmans, Homens de Ferro e Homens-Aranha. O filão parece estar longe do esgotamento. Mas as sutilezas de roteiro e direção, pelo que se torna visível neste filme, e no recente Watchmen, parecem estar sendo deixadas de lado. Os filmes de superseres continuam a ser super em matéria de bilheterias, mas estão cada vez mais mirrados nas idéias.

16 de abril de 2009

Livro: Todos os corpos de Pasolini

Durante anos a grande questão envolvendo o famoso cineasta italiano morto, era "quem matou Pasolini?" - indagação até hoje não respondida, já que o suposto único culpado pelo assassinato, o garoto de programa Pelosi, 30 anos após a condenação pelo crime, surpreendentemente veio a público revelar que, ao contrário do que sempre afirmara, não fora o único envolvido na morte do poeta e cineasta.

Pelosi finalmente quebrou o silêncio sobre o crime e afirmou que todos os que antes poderiam ameaçar sua vida hoje estão "mortos ou velhos demais". Mas as provas materiais que poderiam levar aos criminosos estão todas perdidas e ficou patente a falta de interesse da polícia italiana em conduzir as investigações.

Pier Paolo Pasolini foi um dos mais polêmicos e também um dos maiores poetas, críticos, ensaístas, romancistas, estetas e cineastas do século XX. Sua obra completa é um universo imenso, com mais de 16 mil páginas de poemas, romances, contos, crônicas, ensaios, peças, roteiros e cartas, sem contar seus 26 filmes, e uma grande quantidade de desenhos, pinturas, traduções, entrevistas e performances. A riqueza de seu legado é fascinante.

O adjetivo pasoliniano ficará para sempre associado a uma estética humanista e antiburguesa, que buscará manifestações da sacralidade entre os corpos do subproletariado, expressando um franco erotismo através de um estilo inovador, que busca a "verdadeira poesia", tanto na vida como no cinema.

O livro concentra muitos Pasolinis: o da juventude na província, o intelectual militante de esquerda, o filho obcecado pela mãe e inimigo do próprio pai, o homossexual réprobo que será expulso do PCI, o cineasta inovador, o poeta que resgatará o idioma friulano do desprezo voltado aos falares camponeses pelos fascistas... São muitos os olhares e as indagações que uma obra tão criativa e radical despertam.

O autor do livro é Luiz Nazário, crítico e escritor de origem italiana nascido em São Paulo, que estudou na Alemanha e em Israel, doutor em História pela USP e colaborador na imprensa, com vários livros, artigos e ensaios publicados. Valendo-se de excertos de cartas, entrevistas, poemas, diários, anotações, roteiros e romances de Pasolini, além da extensa pesquisa bibliográfica, Nazário faz uma análise minuciosa, psicanalítica, crítica, à desafiadora obra pasoliniana, revê seus filmes e narra detalhes cruciais da biografia do artista, analisa a coerência de seu posicionamento ético e estético diante da vida, seu desprezo pela moral e valores burgueses, sua fixação por um mundo primitivo, pré-cristão, pré-civilizatório, mítico, quando todas as instâncias do corpo e da vida estavam ligadas ao sagrado.

Um livro magistral, lindíssimo, denso, terrível, incisivo, obrigatório. Como os filmes de Pasolini: