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8 de outubro de 2010
18 de outubro de 2009
Lançamento em DVD: Flesh (1968), de Paul Morrissey

Acaba de ser lançada no Brasil em DVD a trilogia (Flesh - Trash - Heat) de Paul Morrissey encabeçada pelo ator-fetiche de Andy Warhol, o lindíssimo Joe Dallesandro.
.O primeiro do pacote é o breve, belo e provocativo Flesh (1968), um filme totalmente cult, todo realizado em locações pelas ruas de Nova York, a estreia como cineasta de Paul Morrissey, já que o próprio Warhol não tinha mais tempo ou disposição para filmar pessoalmente, embora quisesse rodar estes filmes.
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Joe Dallesandro faz um atraente garoto de programa que vai para as ruas tentar descolar uns encontros. Ele tenta arrecadar dinheiro para pagar o aborto da namorada da namorada. Isso que você leu não é um erro de digitação. A namorada é da namorada dele. As duas garotas dividem a cama na cena final, ao lado do rapaz exausto.
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Mas há muito mais. Embora se possa dizer que nada de realmente relevante aconteça no filme. Não é o enredo que realmente conta, mas a forma poética com que Morrissey faz o filme fluir. Há a belíssima cena de Joe pela manhã brincando com o filho. Esta imagem ilustrava o pôster original do filme e é até hoje uma das mais belas representações da paternidade já criadas.
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Há a sequência - hilária - em que Joe é boqueteado por uma cliente enquanto a transformista Candy Darling, totalmente indiferente, folheia uma velha revista de fofocas hollywoodianas num sofá, trocando figurinhas com outro ser andrógino. Uma cena que é puro Almodóvar, décadas antes de Almodóvar.
.Um senhor idoso, que se apresenta a Joe como artista plástico, convida-o para posar para ele, e somos agraciados com magníficas imagens da gloriosa nudez do rapaz enquanto ele se mantém estático, e de quebra ouvimos algumas opiniões sobre arte - que nos fazem pensar em Warhol.
.Flesh é um filme que impressiona por sua simplicidade e despojamento, além de estar inteiramente na contramão da cultura americana da época. Tem uma estética irônica e ousadamente homoerótica, como grande parte do que Warhol produzia nos anos 60.
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Uma pequena curiosidade sobre o filme: a capa do primeiro álbum dos Smiths, The Smiths (1984), mostrando Joe Dallesandro sem camisa, foi tirada de um dos frames de Flesh.
17 de outubro de 2009
Incêndio no Rio destrói obras de Hélio Oiticica

Um incêndio que só foi contido neste sábado consumiu um acervo de 2.000 obras de arte, além de manuscritos, notas e livros do artista plástico, pintor e escultor Hélio Oiticica (1937-1980).
O incêndio consumiu a casa do irmão do artista, César Oiticica, onde o acervo estava sendo guardado. O prejuízo foi de cerca de 200 milhões de dólares, estima César, inconsolável. Mas a pior perda foi a da cultura brasileira, disse ele.
Oiticica era um contestador. Avesso à pintura em tela, considerava os quadros envelhecidos e saturados "após séculos de paredes". Fez a pintura saltar para fora das telas criando os "relevos especiais" (placas penduradas nos tetos) e os chamados Penetráveis - labirintos. Tais trabalhos inovadores exigiam a interação das pessoas. A mais famosa dessas obras acabou sendo Tropicália, termo inventado por Hélio Oiticica que Caetano Veloso e Gilberto Gil depois utilizariam para batizar o famoso movimento que encabeçaram.
Outras das criações ousadas de Hélio foram os Bólides, caixas de madeira, metal e vidro. Uma delas era dedicada a Cara de Cavalo, assaltante morto a tiros pela polícia. Dentro da caixa há várias fotos de Cara de Cavalo, que foi amante do pintor, caído ensanguentado. Oiticica morreria de derrame, em 1980.
Hélio Oiticica, que cultivava uma visão romântica e maldita da marginalidade, declarou que "o crime é a busca desesperada da felicidade autêntica, em contraposição aos falsos valores sociais".
Os Parangolés, peças de pano ou plástico usáveis também se tornaram, com o tempo, trabalhos muito conhecidos do artista. Envergados por passistas de escola de samba ou por cantores como Adriana Calcanhotto e Caetano Veloso, foram criados para dar movimento e liberdade às cores.
Avalia-se que foram destruídas pelo fogo 90% do total de suas produções. As peças não estavam seguradas. Trata-se de um fim trágico para uma arte rebelde. Uma verdadeira segunda morte. Um desastre de proporções incalculáveis para a cultura brasileira.


7 de abril de 2009
DVD: The Smiths Live in England
Perambulando por uma Americanas da vida dei dei cara com a pérola em DVD aí ao lado, contendo um precioso show dos Smiths de 1983. Nem preciso dizer que comprei o DVD de cara.Não há nenhum material extra. Nem grandes informações sobre a banda. Basicamente é só o show, e este é curtinho: só tem 11 (!) músicas, todas levadas magnificamente pelos maravilhosos arpejos da guitarra de Johnny Marr, pelo fantástico enlace de baixo e bateria a cargo de Andy Rourke e Mike Joyce e, claro, pela divertida e melodramática performance de Morrissey.
É curioso ver como a melhor banda dos anos 80 se saía num palco. Eles eram simples e diretos. Neste show tocam canções de ênfase romântica. Tais músicas recheariam os seus dois primeiros discos, ambos de 1984: a brilhante estreia, The Smiths e a esplêndida coletânea com gravações da BBC, Hatfull of Hollow.
Morrissey, que recentemente foi chamado por um crítico de "o primeiro cantor emo do mundo" magnetiza todos os olhares no palco. Os fãs atiram-lhe flores o tempo inteiro. Vez por outra algum admirador mais empolgado sobe ao palco e atraca-se ao cantor. Morrissey, sem se incomodar, continua cantando. O show transcorre num clima calmo, de muita tranquilidade e empolgação. Lá perto do fim, os fãs sobem ao palco e misturam-se com a banda. Que prossegue tocando. É memorável.
O setlist do show:
01 Handsome Devil
02 Still Ill
03 This Charming Man
04 Pretty Grils Make Graves
05 Reel Around The Fountain
06 What Difference Does It Make ?
07 Miserable Lie
08 This Night Has Opened My Eyes
09 Hand in Glove
10 These Things Take Time
11 You've Got Everything Now
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