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1 de abril de 2012

Curta um curta: Amor Crudo



Amor daqueles bem inconfessáveis por um amigo dos tempos de escola, quem não teve o seu?

22 de outubro de 2011

Sol Radiante

Belas, sensuais e surreais cenas do filme "Rabioso Sol, Rabioso Cielo" (2009), de Julián Hernández:

8 de julho de 2009

Filme: Bulgarian Lovers (2003), de Eloy de La Iglesia



Alguém postou o filme Bulgarian Lovers inteiro no Youtube, dividindo-o em 10 partes, com o título de "Étoiles Brillantes" e legendas em inglês. Trata-se de uma comédia leve, com cenas divertidas, e outras bem sensuais envolvendo Fernando Guillén Cuervo e o belo Dritan Biba. A história é uma adaptação de um romance de Eduardo Mendicutti.

As obras de Mendicutti, escritor espanhol contemporâneo, estão todas repletas de personagens homossexuais e são narradas com humor agridoce.

Possíveis interessados nos livros de Mendicutti podem começar por O Pombo Manco (editora Record), único livro do autor lançado no Brasil. Trata-se da história de Felipe, um garoto com sérios problemas de saúde, que para se recuperar é obrigado a passar três longos meses entre parentes de uma cidadezinha da Andaluzia. A princípio ele pensa que se entediará levando uma vidinha monótona no interior, mas o que ele encontra por lá são personagens desconcertantes, que o fascinam, e que, pouco a pouco, vão interferindo em seu comportamento e modo de ver as coisas. E é justamente neste pequeno universo, tão diferente da vida austera que o jovem levava, que pela primeira vez ele confronta as questões da sua sexualidade.

Quanto ao filme Bulgarian Lovers, aqui vai o trailer:

30 de junho de 2009

Lançamento em DVD: Milk (2008), de Gus Van Sant

"Milk", a cinebiografia do político e ativista gay americano Harvey Milk chega finalmente ao DVD no Brasil, pouco depois do tremendo bafafá envolvendo as tórridas imagens vazadas na Internet do roteirista do filme, Dustin Lance Black, fazendo sexo com um namorado.

Tanto Dustin, quanto o ator Sean Penn que encarna o militante, foram devidamente oscarizados este ano. "Milk" tem ainda a direção de Gus Van Sant (Garotos de Programa), e um formato semidocumental (muitas das cenas mostradas são reais, incluindo imagens de paradas gays dos anos 70 e um discurso do verdadeiro Milk) para retratar a vida pessoal e a construção da carreira política de Milk, que foi o primeiro homem assumidamente gay a vencer uma eleição nos EUA, tornando-se supervisor do prefeito de San Francisco, George Moscone.

Tanto Harvey Milk quanto o prefeito Moscone foram assassinados em 1978 por um ex-supervisor do prefeito, Dan White, ex-militar e combatente do Vietnã, que desejava vingança depois de deixar o cargo. Milk, com o apoio crescente da militância gay, bem como de liberais e de setores ligados aos sindicatos, era considerado um político em ascenção. Décadas após seu violento fim, ainda é tido como a figura política LGBT mais significativa já surgida nos Estados Unidos.

Assistam o trailer do filme:

23 de junho de 2009

DVD: O Tempo Que Resta (2005), de François Ozon

O Tempo Que Resta é outro belo trabalho de François Ozon, o mesmo diretor do ótimo À Beira da Piscina, em que a veterana Charlotte Rampling deu-nos o melhor desempenho de sua carreira.
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Este filme tem uma trama muito simples: mostra-nos o modo como um homem condenado lida com o tempo, quando o tempo que resta a ele é pouquíssimo. Romain (Melvil Poupaud) é um fotógrafo profissional, gay assumido, de 31 anos, boa-pinta e arrogante, que descobre ter um câncer inoperável. O médico lhe dá um prazo de poucos meses de vida.
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Ele, claro, sofre bastante, mas não conta nada para os pais (amorosíssimos) nem para a irmã, sua melhor amiga desde a infância, que é hostilizada verbalmente por ele, numa cena particularmente cruel. Ele expulsa também o namorado de sua vida, sem maiores explicações. Da família toda, só desabafa para a avó (Jeanne Moreau, sempre magnífica) que, segundo ele, é a única capaz de entendê-lo pois está "também próxima da morte". Os diálogos confessionais entre Jeanne e Poupaud são o ápice emocional do filme, mas há alguns outros grandes momentos, como as cenas que envolvem um casal que não pode ter filhos.
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É claro que com um tema destes, o filme poderia ser difícil, um tanto melodramático demais. Mas não é. O tratamento dado por Ozon é avesso ao sentimentalismo barato. De certa forma, o tema e o tom de O Tempo Que Resta lembra-nos o de Viver, obra-prima de Akira Kurosawa, que mostrava um funcionário público acossado pela morte próxima, repensando toda a sua existência tida por inútil e buscando finalmente um sentido para viver.
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Romain mergulha em si mesmo, relembra a infância, mas não está muito disposto a lidar com os outros. Ele quer a solidão. Tem horas que decide espernear e faz o que lhe der na telha. Com consequências dolorosas para aqueles que o cercam. A meu ver ele não aguentaria ser tratado como coitadinho por ninguém. .

O filme é denso, ao tratar sobre a morte faz pensar sobretudo na origem da vida (crianças fazem Romain lembrar da própria infância) e na passagem do tempo. O desempenho de Poupaud é magnífico. Em O Tempo Que Resta cada segundo de filme é um tempo precioso.

2 de junho de 2009

Trash Movie: A Camisinha Assassina (1996)

Cultuado como uma das bizarrias mais criativas do gênero trash, há o inacreditável e impagável filme A Camisinha Assassina, produzido pela Troma em 1996, produtora especialista em comédias de terror baratas.

O filme é a divertida adaptação de uma história em quadrinhos alemã, produzida pelo cartunista gay assumido Ralf König, que assina o roteiro. O "herói" do filme é um detetive gay chamado Udo Samel (Luigi Mackeroni). Ele é feio, careca, gordo e passa o filme caçando uma camisinha dentada que castra suas vítimas (foto).

O filme tem uma trama difícil de prever, cheia de provocações sexuais, envolvendo drag queens, prostitutos, gigolôs e o próprio detetive, que faz o gênero "urso". Numa sequência, ele tenta seduzir o garotão Billy (Marc Richther), os dois homens estão prestes a fazer sexo na cena do crime quando são interrompidos pela camisinha assassina!

A seguir um outro impagável momento do filme:


18 de maio de 2009

Lançamento em DVD: Saló (1975), de Pier Paolo Pasolini

Descrever Saló como uma parábola atroz, violenta e escatológica, que critica tanto a estrutura do poder quanto a sociedade de consumo contemporânea não dá uma medida exata do filme. É preciso ver para crer, e o lançamento deste filme escandaloso em DVD no Brasil ajuda a preencher aquela estante meio vazia: a dos filmes realmente polêmicos, que conta com um punhado de filmes extremos, como os memoráveis A Comilança ou então O Cozinheiro, O Ladrão, Sua Mulher e O Amante (ambos disponíveis em DVD no Brasil).
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Este filme é Pasolini em seu momento mais cruel e desesperançado. Ele foi feito pelo cineasta para renegar a sua Trilogia da Vida depois que a indústria cultural, a publicidade e o mercado pornográfico dos anos 70 apropriaram-se do erotismo, transformando o sexo e os corpos nus em mercadorias como outras quaisquer.
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Só um grande cineasta como Pasolini para contar uma história tão terrível, em que um grupo de fascistas (e um cardeal) reúnem-se num castelo da república de Saló para dar início a uma sequência impiedosa de orgias, humilhações, torturas e execuções de jovens de ambos os sexos.

O filme é uma tour de force. Eu o vi quase 20 anos atrás. No início da projeção, o cinema estava lotado. À medida que o filme seguia seu curso, o público ia debandando. Só me lembro, ao final, de ver uns poucos gatos pingados na saída (além de meu irmão e um amigo, alguns raros cinéfilos de estômago forte).
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Saló, Ou Os 120 Dias de Sodoma, o filme de Pasolini inspirado no romance homônimo do Marquês de Sade, é uma das experiências cinematográficas mais radicais, perturbadoras e inesquecíveis que já tive!

9 de maio de 2009

Do Começo ao Fim: novo trailer do filme

Acaba de vazar na rede mais um trailer do polêmico Do Começo Ao Fim, novo filme do cineasta Aluisio Abranches que retrata o amor apaixonado entre dois irmãos (os belos Rafael Cardoso e João Gabriel) que promete causar.

O primeiro trailer vazado e que eu já postei aqui no blog espalhou-se como uma pandemia por todo o mundo virtual, em milhares de sites e blogs. O vídeo teve mais de 25 mil exibições em apenas um dia de circulação, o que dá uma excelente medida do potencial de sucesso para o longa, ainda sem data prevista para estreia.

O novo (e belo) trailer é este aí:



8 de maio de 2009

Filme polêmico feito no Brasil: Do Começo Ao Fim (2009)



Muita polêmica à vista é o que promete o lançamento este ano do longa Do Começo Ao Fim, o novo filme de Aluizio Abranches, diretor de Um Copo de Cólera (1999) e As Três Marias (2002). O filme toca num imenso tabu, o incesto, ao tratar sobre o envolvimento homossexual entre dois irmãos.
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O filme mostra um relacionamento de profundo afeto entre Gabriel e Thomas, a princípio apenas platônico durante a infância dos dois, mas é na vida adulta, logo após a morte da mãe deles (Julia Lemmertz) num acidente de automóvel, que os irmãos (de 21 e 27 anos) vêm a se tornar amantes.
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Não é apenas carinho entre irmãos o que eles sentem, mas amor de verdade. Como se o tema homoerótico fosse pouco para deixar os religiosos de cabelo em pé, Abranches ousa mexer num dos maiores tabus de nossa civilização, o incesto.
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O filme realizado em Buenos Aires e no Rio de Janeiro é a exuberante estreia da produtora Pequena Central, de Marco Nanini e Fernando Libonati e promete dar o que falar.
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O trailer segue aí embaixo:


Vídeo Sexy: Dream Boy (2009)

6 de maio de 2009

Filme: X-Men Origins: Wolverine (2009)

Nas cenas finais de X Men Origins, Logan (Hugh Jackman) é um sujeito desmemoriado. Ele acaba de perder a lembrança de tudo o que ocorreu no filme. É "um cara de sorte", como disse, maldosamente o crítico Roger Ebert a respeito desse blockbuster.

O filme de fato deixa a desejar. É um produto que lembra uma pizza com dois sabores: uma metade boa, a outra intragável. Há aparições de outros mutantes famosos, para agradar os fãs da tribo HQ. Quem não se inclui entre estes fica um tanto perplexo. Para piorar tudo, Logan-Wolverine não é o tipo de super-herói inteligente ou espirituoso. É do tipo que grunhe e faz caretas. Para compensar esse seu falar monocórdico a mão pesada de Richard Donner usa e abusa de ação, mortes, perseguições, explosões e efeitos especiais acelerados. Mas o tiro sai pela culatra.

Logan tem mais de 150 anos. Não aparentes. Ele segue o irmão depravado guerra após guerra, com uma invejável jovialidade hollywoodiana. O filme explica como ele adquiriu seu esqueleto de metal indestrutível e sobreviveu ao processo doloroso. Sua capacidade de regeneração cura-o de qualquer ferimento ou doença. Portanto, o personagem é incapaz de sofrer como um ser humano comum. A não ser que se fale em sofrimento pelos outros. Os riscos sobram para os pobres mortais que convivem com um sujeito desses.

Levando em conta tudo isso, não é fácil entender porque um robô indestrutível com garras assassinas como Wolverine é considerado o herói mais popular do mundo. A boa pinta de Jackman talvez ajude. E sobretudo seu carisma. O homem dificilmente deixa a peteca cair como entertainner (vide a última entrega do Oscar).

O primeiro filme dos X-Men foi um divisor de águas nas adaptações de super-heróis para o cinema. Na esteira de seu sucesso vieram bons filmes recentes: os Batmans, Homens de Ferro e Homens-Aranha. O filão parece estar longe do esgotamento. Mas as sutilezas de roteiro e direção, pelo que se torna visível neste filme, e no recente Watchmen, parecem estar sendo deixadas de lado. Os filmes de superseres continuam a ser super em matéria de bilheterias, mas estão cada vez mais mirrados nas idéias.

Vídeo Sexy: Little Ashes (2009)

4 de maio de 2009

Lançamento em DVD: O Eclipse (1962)

Lançado por Michelangelo Antonioni após A Aventura (1960) e A Noite (1961), O Eclipse é considerado o ponto final de uma trilogia de filmes sobre a incomunicabilidade, o vazio e o tédio da vida moderna, e um de seus mais belos trabalhos.

O enredo do filme se concentra num breve envolvimento entre Monica Viti (recém saída de uma relação fracassada) e um jovem corretor da bolsa, Alain Delon (mais lindo do que nunca). A trama e o desempenho dos atores chamam a atenção, mas o olhar de Antonioni explora uma poética de silêncios e elipses, subvertendo todas as nossas expectativas.

O filme abdica de sua própria conclusão e descarta os seus dois protagonistas bem antes do inesquecível final, encerrando-se em uma montagem visual silenciosa, concisa e perturbadora: verdadeiro poema de imagens.