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31 de outubro de 2011

Vídeo: Eu Matei Minha Mãe



Passeando pelo YouTube achei esse fragmento pra lá de sexy de um filme bem bacana, o semi-autobiográfico "Eu Matei Minha Mãe", do canadense Xavier Dolan. No trecho acima postado Dolan (que dirige, escreve, atua e dá muita pinta) e o namorado gostoso pintam... o sete.

8 de outubro de 2010

Lançamento em DVD: Pink Narcissus (1971)

Pink Narcissus é um filme cult e homoerótico altamente estilizado, de 1971, dirigido por James Bidgood (cujo nome não aparece nos créditos). O filme mostra as fantasias (homos)sexuais de um jovem garoto de programa quando ele fica sozinho em seu apartamento, antes de descer para as ruas em busca de clientes.

Entre tais fantasias, o rapaz se imagina como um toureiro todo paramentado num banheirão, enfrentando um motoqueiro leather (como o touro). Outra sequência marcante é aquela em que o jovem se vê como um escravo torturado por um imperador romano, numa autêntica orgia gay. Diversas formas fálicas aparecem nos cenários, assim como há closes de pênis ejaculando ou sendo acariciados por todo o filme. O conteúdo masturbatório de toda a produção é inegável.

O visual de Pink Narcissus é de um kitsch esplêndido: abusando de cenários fakes, acessórios fetichistas, brilhos e cores afetadas, explora ao máximo a sensualidade do corpo masculino nu. O filme reproduz o imaginário gay com uma força poética raríssimas vezes vista mesmo no recente fenômeno do queer cinema.

Pink Narcissus foi quase inteiramente rodado num único local: o apartamento novaiorquino de seu até então secreto diretor. A montagem das cenas é bem fragmentada, ao estilo dos filmes de Andy Warhol (corriam boatos no universo gay de NY, de que Warhol era um dos misteriosos realizadores de Pink Narcissus). Quem desvendou o véu de mistério que encobria o filme foi o escritor Bruce Benderson, que era verdadeiramente obcecado por Pink Narcissus, e nos anos 90 realizou uma verdadeira odisséia em busca dos seus realizadores, até localizar James Bidgood, que ainda morava em Mahhattan onde trabalhava como roteirista.

Em 1999, Benderson escreveu um livro publicado pela editora Taschen reunindo e comentando a obra de Bidgood como fotógrafo e cineasta underground.

O famoso estilo gay kitsch de Pink Narcissus influenciou decisavamente o trabalho de outros artistas como a dupla de fotógrafos Pierre & Gilles, que tratam dos mesmos temas homoeróticos e fantasiosos com um tratamento glamuroso e refinado.

Pena que a cópia recentemente lançada em DVD no Brasil não tenha qualidade e nitidez melhores, mas ainda assim o filme vale a pena por sua ousadia estética e temática incomuns.





8 de abril de 2010

Filmagens: Dawn of Gods (2011), de Tarsem

Dawn of Gods (ou Crepúsculo dos Deuses) é o título do próximo filme do diretor indiano Tarsem Singh, o responsável pelos lindos e cultuados A Cela (The Cell, 2000) e Dublê de Anjo (The Fall, 2007).
Tarsem sempre se destacou como um talentoso criador de imagens inesquecíveis e oníricas - que migrou da linguagem publicitária e dos videoclipes para o universo do cinema (foi ele que dirigiu o premiadíssimo clipe do R.E.M., "Losing My Religion"). Seus dois primeiros filmes chamaram a atenção da crítica especializada, merecendo elogios rasgados do eminente Roger Ebert.

Quem já assistiu a qualquer um dos dois não os esquece - são filmes que enchem os olhos e proporcionam um incomparável prazer estético, envoltos num clima geral de fábula, entre o sonho e o encantamento. Quem nunca os viu, não deve perdê-los.

O único fato lamentável - e sintomático da decadência da mentalidade dos que exibem filmes em nosso país - é que o magnífico Dublê de Anjo, com produção de Spike Jonze (Quero Ser John Malkovitch) e David Fincher (Clube da Luta) foi equivocadamente esnobado e nem chegou às salas de cinema brasileiras, sendo lançado diretamente em DVD. O mesmo escandaloso erro que ocorreu com o mais recente vencedor do Oscar, "Guerra ao Terror", de Katherine Bigelow, lançado a princípio em DVD e que só entrou - tardiamente - em cartaz por aqui porque acabou figurando entre os candidatos mais cotados à estatueta. Um vexame e uma imbecilidade que só confirmam o fim de qualquer inteligência ou bom senso no curto-circuito dos distribuidores, levando-se em conta a quantidade de bombas que entram regularmente em cartaz.

Alguns stills do imperdível Dublê de Anjo:


Tarsem, claramente, é um perfeccionista obcecado pelo belo.

As filmagens de Dawn of Gods estão a pleno vapor e o filme tem previsão de lançamento para 2011, segundo o site Movie Database, e abordará o universo mítico da grécia antiga - que pelo visto em Fúria de Titãs (2010), anda em alta em Hollywood.Os atores até então escalados para Dawn of Gods são um espetáculo à parte e só confirmam o extraordinário dom para a afirmação da beleza que é o cinema de Tarsem. Olhem só para esta escalação de deuses clássicos:

Corey Sevier (Teseu)

Steve Byers (Apolo)

Stephen Dorff (Stavros)


Kellan Lutz (Netuno)

29 de novembro de 2009

Love is The Devil (1998)

Um filme britânico (ou será inglês?) que tenho vontade de ver é Love Is The Devil: Study For a Portrait of Francis Bacon (1998), de John Maybury. No sombrio papel do artista plástico, o ator Derek Jacobi. E interpretando o seu rústico amante, Daniel Craig. Sim, ele mesmo, o famigerado agente 007!
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O filme é de 1998 e foi produzido para exibições na TV pela BBC, mas ganhou diversas indicações e prêmios em festivais internacionais, tanto por sua sinistra recriação do universo icônico de Bacon, traduzido em imagens provocantes, quanto pelas interpretações de seus dois protagonistas.
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Um trailer do filme:
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18 de outubro de 2009

Lançamento em DVD: Flesh (1968), de Paul Morrissey


Acaba de ser lançada no Brasil em DVD a trilogia (Flesh - Trash - Heat) de Paul Morrissey encabeçada pelo ator-fetiche de Andy Warhol, o lindíssimo Joe Dallesandro.
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O primeiro do pacote é o breve, belo e provocativo Flesh (1968), um filme totalmente cult, todo realizado em locações pelas ruas de Nova York, a estreia como cineasta de Paul Morrissey, já que o próprio Warhol não tinha mais tempo ou disposição para filmar pessoalmente, embora quisesse rodar estes filmes.
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Joe Dallesandro faz um atraente garoto de programa que vai para as ruas tentar descolar uns encontros. Ele tenta arrecadar dinheiro para pagar o aborto da namorada da namorada. Isso que você leu não é um erro de digitação. A namorada é da namorada dele. As duas garotas dividem a cama na cena final, ao lado do rapaz exausto.
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Mas há muito mais. Embora se possa dizer que nada de realmente relevante aconteça no filme. Não é o enredo que realmente conta, mas a forma poética com que Morrissey faz o filme fluir. Há a belíssima cena de Joe pela manhã brincando com o filho. Esta imagem ilustrava o pôster original do filme e é até hoje uma das mais belas representações da paternidade já criadas.
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Há a sequência - hilária - em que Joe é boqueteado por uma cliente enquanto a transformista Candy Darling, totalmente indiferente, folheia uma velha revista de fofocas hollywoodianas num sofá, trocando figurinhas com outro ser andrógino. Uma cena que é puro Almodóvar, décadas antes de Almodóvar.
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Um senhor idoso, que se apresenta a Joe como artista plástico, convida-o para posar para ele, e somos agraciados com magníficas imagens da gloriosa nudez do rapaz enquanto ele se mantém estático, e de quebra ouvimos algumas opiniões sobre arte - que nos fazem pensar em Warhol.
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Flesh é um filme que impressiona por sua simplicidade e despojamento, além de estar inteiramente na contramão da cultura americana da época. Tem uma estética irônica e ousadamente homoerótica, como grande parte do que Warhol produzia nos anos 60.
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Uma pequena curiosidade sobre o filme: a capa do primeiro álbum dos Smiths, The Smiths (1984), mostrando Joe Dallesandro sem camisa, foi tirada de um dos frames de Flesh.


30 de setembro de 2009

Clássico em DVD: Paixão Selvagem (1976), de Serge Gainsbourg

O belíssimo e cultuado Paixão Selvagem, fime de 1976, dirigido pelo provocativo músico francês Serge Gainsbourg finalmente será lançado em DVD no Brasil! O filme chegará às lojas e boas videolocadoras a partir do dia 09 de outubro.

O filme se tornou famosíssimo pela canção-título e pela esquálida beleza andrógina de Jane Birkin (então mulher do diretor), confundida com um rapazinho pelo lindo e gostosíssimo Joe Dalessandro, um caminhoneiro gay que faz uma parada na lanchonete de beira de estrada em que Birkin trabalha, num fim de mundo poeirento.

Este deve ser o filme ao mesmo tempo mais bonito, barra pesada e sacana já feito por alguém.

Até Gerard Depardieu participa, fazendo uma ponta (e que ponta!) divertidíssima.

Um dos muitos pontos altos do filme são as tentativas (frustradas) de sexo anal entre os dois protagonistas. Birkin sente muita dor e os gritos desesperados dela impedem a transa com Dalessandro. O namorado dele fica enciumadíssimo. Há, ainda, um inacreditável show de strip tease só com mulheres horrorosas num puteiro caidíssimo. Este foi um filme feito pra chocar todos os puritanos. E como chocou.

Sem dúvida, um dos grandes lançamentos em DVD este ano!

5 de junho de 2009

Lançamento em DVD: A Paixão de Ana (1960)

Está previsto para ser lançado em DVD pela Versátil, no dia 03 de julho,
um dos mais impressionantes trabalhos do cineasta sueco Ingmar Bergman.
Trata-se de A paixão de Ana, filme inédito no Brasil, realizado em 1960, num dos períodos mais criativos de Bergman. No elenco, Liv Ullmann, Max von Sydow, Bibi Andersson e Erland Josephson.
O filme é misterioso e desconcertante além da conta. Há um serial killer (de animais) rondando a ilha em que os personagens habitam. No centro dos acontecimentos Ana se envolve com o solitário Andreas. Eles fazem amizade com um casal vizinho com quem se envolvem sexual/afetivamente. Porém, segredos do passado de Ana aos poucos emergem e vão minando a relação dos dois.
O que mais impressiona no filme é a forma única como Bergman conta a trama. Sempre surpreendente, lancinante e imprevisível. A narrativa às vezes é interrompida para que cada um dos atores principais deem opiniões pessoais sobre os personagens que estão interpretando. Assisti-lo é uma experiência única para qualquer cinéfilo.

24 de maio de 2009

Lançamento em DVD: Control (2007)

Control conta a breve trajetória artística e pessoal de Ian Curtis, o letrista e vocalista do grupo inglês Joy Division, que se tornaria um mito do rock não só pela sonoridade incomum da banda associada à melancolia ultra-romântica de suas letras, mas principalmente pelo suicídio de Curtis, aos 23 anos, em 1980, quando o grupo, à época admirado apenas por alguns iniciados, estava às vésperas da primeira excursão pelos EUA.

O filme é dirigido pelo estreante Anton Corbjin, que conviveu pessoalmente com Ian Curtis no período retratado pelo filme. Corbjin foi o fotógrafo responsável pelas belíssimas imagens em preto-e-branco que transformariam o Joy Division num dos mais fortes símbolos icônicos do rock dos anos 80. Em Control ele repete a técnica, expressando sem cores a visão pessimista que Curtis tinha da existência humana. A trama baseia-se num livro escrito pela viúva de Ian Curtis, Debbie (interpretada no filme por Samantha Morton) e mostra em detalhes os relacionamentos afetivos que o artista manteve com a jovem esposa (com quem casou-se na adolescência e teve uma filha) e a amante belga, Annik Honore.

As apresentações de Ian Curtis ao vivo se dão por gestos e danças espasmódicas que de certo modo lembram a epilepsia, doença que o acometeria aos 20 anos. O desempenho do jovem ator Sam Riley no papel demonstra um envolvimento emocional e um grau de exposição raríssimos de se ver.

Control é um filme delicado, profundo, envolvente e com uma trilha sonora imperdível. Outro mérito inegável é o de fugir a todos os clichês já vistos nas biografias de roqueiros.