17 de março de 2009
Papa X camisinha
Mal o Papa Bento XVI pôs os pés (sem os famigerados sapatos Prada?) pela primeira vez na África, continente mundial mais assolado pela aids, foi logo recomendando o que considera a melhor forma de combater a doença: através da abstinência sexual."Sem sexo, sem aids", crê o sumo pontífice. Difícil é convencer africanos, americanos, europeus e outros das vantagens do celibato. Para falar a verdade da própria igreja deveria partir o exemplo. Provando por continência e castidade que os católicos sim estão certos, por jamais desejarem sexo com moços ou moças. Mas a julgar pelos inúmeros noticiários envolvendo os crimes dos padres pedófilos (devidamente abafados pela igreja) falar em termos de abstinência soa apenas como hipocrisia.
Há cerca de 22 milhões de pessoas infectadas pelo vírus HIV vivendo na África. A despeito destes números, o Papa faz críticas ao uso da camisinha, diz que a distribuição de preservativos só piora a epidemia e pondera que a igreja está em 'uma posição de vanguarda' no combate à doença.
Eu me pergunto que vanguarda afinal é essa. E tenho várias outras perguntinhas: será que os padres pedófilos usavam camisinhas?
Para finalizar, o Adão Itarrusgai tem uma tira bem-humorada em relação à controvertida posição papal:

Morrissey - Years of Refusal
Morrissey é uma figura ímpar no mundo pop & rock. Ícone surgido nos anos 80, destacou-se como o vocalista e brilhante letrista dos cultuados Smiths, banda britânica que causou verdadeira comoção desde que surgiu em 1984 até se desfazer em 1988.Morrissey era uma figurinha avessa à badalação e aos excessos comuns entre os ídolos musicais carimbados da MTV. Celibatário, vegetariano, retraído e irônico, o cantor projetava uma imagem oposta à do star system de então, dominado por Madonna ou Boy George, que nos anos 80 destacavam-se não exatamente por méritos musicais, mas por comportamentos e visuais associados a sexo, androginia ou às drogas.
Morrissey em sua parceria com o guitarrista Johnny Marr marcaria época nos Smiths, tanto que após o esfacelamento do grupo muitos apostaram que sua carreira estaria acabada. Ledo engano. inaugurando sua carreira solo, Morrissey lançaria Viva Hate, um disco fundamental, que já acrescentaria clássicos imediatos ao repertório do cantor, verdadeiros hinos pós-Smiths, como "Suedehead" e "Everyday Is Like Sunday".
Years of Refusal é o nono disco numa carreira notoriamente alternativa. O cantor foi um precursor dos chamados artistas 'indie', os independentes, que anos depois, chegariam a dominar paradas e conquistariam espaços próprios. Morrissey hoje vive nos Estados Unidos e continua um ícone, idolatrado por centenas de jovens de origem latina, que acampam nos portões de sua mansão (que já pertenceu ao escritor Scott Fitzgerald e ao cineasta John Schlesinger). Ele manda ver no seu novo disco, num formato mais rock e direto, seus velhos temas de sempre (falta de amor, infelicidade, desilusões, solidão) tudo com aquele toque de sarcasmo e jocosa pilhéria característicos do cantor.
Morrissey é hoje um senhor de 50 anos, mas diferente de muitas celebridades surgidas na sua geração e esquecidas desde então, ele manteve viva e ativa sua carreira fazendo aquilo que basicamente sabe e gosta de fazer, sendo fiel a si mesmo e rejeitando tudo que constituia "o estilo de vida" rocker ou yuppie que marcariam os anos 80. Abraçado ao glam rock, a referências musicais como Bowie, New York Dolls e Roxy Music, a livros de Oscar Wilde e a filmes antigos e peças que evocavam a fúria renovadora dos Angry Young Men ingleses, Morrissey parecia uma excentricidade deslocada no tempo. As décadas que se seguiram comprovariam isso. Ele manteve afiados os seus temas, apostando em rocks tocados pela banda de rockabilly que o acompanha ou lançando faixas mais suaves. E continuaria brilhando como um ícone independente. Seu disco anterior já foi lançado há bons 3 anos.
O bom humor do Morrissey desta safra torna-se óbvio na capa de um de seus novos singles:

Este Years of Refusal vem com várias faixas falando de amores improváveis. Mas sem choradeira: Morrissey canta que "está bem sozinho" na canção "I'm Ok By Myself". O disco inteiro tem um astral otimista e uma postura muito madura e irônica em relação aos eternos desencontros amorosos.
14 de março de 2009
12 de março de 2009
Gordurosos, salgados e intolerantes
No Brasil, a discriminação aos gays é fato tão corriqueiro e banalizado que pode surgir de qualquer lugar, a qualquer momento. Surgiu via TV e desta vez num comercial de pacote de salgadinhos.Os salgadinhos homofóbicos são os Doritos (foto). A peça publicitária que despertou polêmica envolve quatro amigos num automóvel. Um dos rapazes começa a dançar uma animada coreografia para "YMCA", famoso hino gay do grupo disco Village People. Os amigos reagem constrangidos, fazendo caras e bocas. Um pacote de Doritos aparece e encobre o rosto do rapaz, com a mensagem: "Quer dividir alguma coisa com os amigos? Divide um Doritos!"
Veiculado o comercial, a polêmica ganhou a blogosfera. Muitos gays e simpatizantes LGBT chiaram e agora ameaçam boicotar o salgadinho. Outros reclamam da falta de humor dos que se sentiram discriminados e há os que aproveitam a celeuma para deixar comentários ofensivos contra os gays.
O comercial em si não é risível, nem sequer engraçadinho. É ridículo mesmo. Não veicula outra mensagem senão a de que dividir com os amigos o fato de ser gay é algo que deve ser evitado. A mensagem? É melhor empanturrar a boca com salgadinhos do que abri-la pra fazer seu outing. Trata-se de uma apologia ao armário. A atitude francamente gay mostrada como constrangedora e socialmente reprovável.
Vale lembrar que dentre o público consumidor de Doritos, os alvos-chave da peça publicitária são os adolescentes masculinos, eternos campeões da homofobia no Brasil.
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