8 de maio de 2009
6 de maio de 2009
Filme: X-Men Origins: Wolverine (2009)
Nas cenas finais de X Men Origins, Logan (Hugh Jackman) é um sujeito desmemoriado. Ele acaba de perder a lembrança de tudo o que ocorreu no filme. É "um cara de sorte", como disse, maldosamente o crítico Roger Ebert a respeito desse blockbuster.O filme de fato deixa a desejar. É um produto que lembra uma pizza com dois sabores: uma metade boa, a outra intragável. Há aparições de outros mutantes famosos, para agradar os fãs da tribo HQ. Quem não se inclui entre estes fica um tanto perplexo. Para piorar tudo, Logan-Wolverine não é o tipo de super-herói inteligente ou espirituoso. É do tipo que grunhe e faz caretas. Para compensar esse seu falar monocórdico a mão pesada de Richard Donner usa e abusa de ação, mortes, perseguições, explosões e efeitos especiais acelerados. Mas o tiro sai pela culatra.
Logan tem mais de 150 anos. Não aparentes. Ele segue o irmão depravado guerra após guerra, com uma invejável jovialidade hollywoodiana. O filme explica como ele adquiriu seu esqueleto de metal indestrutível e sobreviveu ao processo doloroso. Sua capacidade de regeneração cura-o de qualquer ferimento ou doença. Portanto, o personagem é incapaz de sofrer como um ser humano comum. A não ser que se fale em sofrimento pelos outros. Os riscos sobram para os pobres mortais que convivem com um sujeito desses.
Levando em conta tudo isso, não é fácil entender porque um robô indestrutível com garras assassinas como Wolverine é considerado o herói mais popular do mundo. A boa pinta de Jackman talvez ajude. E sobretudo seu carisma. O homem dificilmente deixa a peteca cair como entertainner (vide a última entrega do Oscar).
O primeiro filme dos X-Men foi um divisor de águas nas adaptações de super-heróis para o cinema. Na esteira de seu sucesso vieram bons filmes recentes: os Batmans, Homens de Ferro e Homens-Aranha. O filão parece estar longe do esgotamento. Mas as sutilezas de roteiro e direção, pelo que se torna visível neste filme, e no recente Watchmen, parecem estar sendo deixadas de lado. Os filmes de superseres continuam a ser super em matéria de bilheterias, mas estão cada vez mais mirrados nas idéias.
5 de maio de 2009
Livro: Saint Genet, ator e mártir, de Jean-Paul Sartre
Saint Genet é um extenso e profundo ensaio escrito por Sartre que a princípio serviria de prefácio à edição das obras completas de Jean Genet. O texto acabou ganhando corpo, e que corpo, (são 580 páginas!) e em sua abrangência trata minuciosamente sobre a vida e a obra de um artista incomum, poeta e marginal que se insere na melhor tradição (de Villon e Rimbauld) no contexto da literatura francesa, e ao mesmo tempo rompe com toda familiaridade, impondo um estilo inconfundível e único, que retrata o lado mais avesso ao da sociedade: o mundo do crime, dos marginalizados, dos mendigos, das prostitutas, dos travestis, dos ladrões e dos homossexuais.Saint Genet: ator e mártir assemelha-se a uma biografia espiritual, e pode ser considerado como uma espécie de bíblia negativa, em que Genet emerge diante do mundo assumindo o papel não apenas de escritor obsceno e escatológico, mas de anjo maldito que traz em si todas as danações como bênçãos, homem marcado pela rejeição social no qual Sartre reconhece, paradoxalmente, o fulcro da santidade
Genet foi entrevistado por Sartre para a realização desta obra, e diversos elementos de seu misterioso passado são revelados e analisados, bem como o seu complexo universo de fantasias e criações. O trabalho foi tão no íntimo do autor, que Genet encontrou sérias dificuldades para continuar escrevendo depois da verdadeira vivissecação que o ensaio de Sartre lhe fez. Ele precisou abandonar os romances e se dedicar apenas ao teatro para continuar como autor. E chegou a pensar em destruir o ensaio, ateando-lhe fogo.
Felizmente isso não aconteceu. O livro é uma longa e digressiva especulação existencialista sobre uma experiência radical, a de Jean Genet, que começou a escrever para excitar-se e estimular-se à masturbação, já que, preso na colônia penal de Mettray, vivia isolado em sua cela (como um monge).
Todos os temas de Genet, bem como suas obsessões pessoais mais surpreendentes (a sacralização da traição, da sodomia e do crime) são investigados de modo implacável por Sartre, que aplica aqui todos os seus poderes intelectuais e de escritor em busca da verdade. O leitor se vê, página após página, como um cúmplice poético de dois grandes gênios da contramão, o existencialista e o pária.
4 de maio de 2009
Artista plástico: Doug Simonson
A arte do americano Douglas Simonson é multiculturalista e homoerótica e está dividida em pinturas, desenhos e gravuras, realizados em mais de 30 anos, que retratam belos rapazes posando para o artista plástico em suas muitas viagens ao redor do mundo. Nascido em Nebrasca, mas vivendo e trabalhando numa paradisíaca Honolulu, Simonson é um naturalista de mão cheia. Capta, como poucos, uma certa vulgaridade inerente a todos esses garotos desnudos, que aparentam estar prontos para posar ou para fazer sexo por alguns punhados de dólares.
Seu trabalho também tende, sutilmente, a uma estilização das formas e a uma simplificação das cores. Mas sempre preservando o olhar fascinado pelos traços étnicos diferenciados e pelo erotismo indisfarçável de rapazes orientais, latinos ou havaianos.
O artista possui um site, e por lá todos os seus muitos retratos de deliciosos rapazes podem ser apreciados ou até mesmo adquiridos. Vale a pena dar várias conferidas.

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